Estilo Natural
Edição 28 - Janeiro/2006
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  da necessidade de se "re-casar"

POR CARMINHA LEVY*

"Estou no quarto marido vivendo sempre o mesmo casamento". Essas palavras que ouvi de uma cliente levaram-me a essas reflexões: a busca da complementação amorosa começa bem cedo, declaradamente para as meninas e mais camuflada para os meninos. Bem mais adiante, num certo dia surge aquele príncipe ou aquela gata especial e os sininhos da paixão tocam de tal forma que, como hipnotizados, são levados a um arrebatamento que os fazem mergulhar no mito do parceiro eterno, no "homem ou mulher da minha vida".

Quão mais forte é, mais rapidamente este encantamento some em face à vida real que traz seus aborrecimentos. O sonho acabou, separação, briga, litígio, é o fim! Na segunda experiência de apaixonamento, partem para o novo mergulho ancorando-se numa suposta vida real. Mas a mesma tônica começa a se repetir com o agravante de que agora os filhos estão na jogada, o que faz com que, por esse motivo, alguns casais permaneçam juntos sem amor ou companheirismo (o que é profundamente impiedoso para com eles).

Outros, mais corajosos, encaram uma dolorosa separação, talvez a decisão mais sábia para pais e filhos. E assim se segue, terceira, quarta experiência, pois o que se procura é algo inexistente, uma imagem idealizada do outro, um parceiro interno. Os parceiros internos (invisíveis) nascem de uma idealização sobre o sexo oposto que se estabelece na nossa infância a partir do modelo do pai e da mãe. Eles se escondem no nosso inconsciente profundo e se expressam através da projeção disparada pelo encontro com alguém que tem muitos traços dessa idealização. É a parte feminina do homem que ele procura na mulher e vice-versa - tudo inconsciente! É do forte impulso sem rédeas de um para com o outro que surge a fonte do magnetismo do estado de apaixonamento.

A paixão não resiste quando ésubmetida ao teste da realidade, pois quanto mais real vão se tornando um para o outro, menos possibilidades das imagens mágicas provenientes do inconsciente permanecem projetadas neles. No casal em que a paixão transcorreu ao lado do amor, em que apesar da magia prevaleceu a visão de realidade, quando o deslumbramento pasda necessidade de se "re-casar" sa, começa o verdadeiro casamento e esta é a hora do re-casamento!

Quando o deslumbramento passa, começa o verdadeiro casamento.

A atração magnética, a magia se foi, mas se ambos não forem imaturos e houver amor, a magia será substituída pelo desejo de constituírem laços, família, parceria, pelo grande desafio de crescimento mútuo, pelo amor aos filhos e pela liberdade do estilo pessoal. Mas se o que sobrou do apaixonamento foi só negatividade e violência é hora de vocês se separarem e se re-casarem com vocês mesmos. Sair de um casamento com esta tônica é o caminho de libertação não só psicológico, mas também de alma. Aqui vão algumas dicas práticas de re-casamento:

Falem com o coração mas não deixem o mental do lado - esta combinação é perfeita para que não haja julgamentos nem caça ao culpado. Não chantageiem com a culpa, maior vilã de qualquer relacionamento, aceitem sua responsabilidade e assumam o desejo de mudar. Deixem as perdas rolarem, não cultivem mágoas. E, remédio infalível, tirem férias conjugais sempre que possam e curtam a saudade e a falta que o parceiro lhe traz, recebendo com alegria e paz tudo o que a vida lhes dá de presente.

CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.

 

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