"Estou no quarto marido vivendo sempre o mesmo casamento". Essas palavras
que ouvi de uma cliente levaram-me a essas reflexões: a busca da complementação
amorosa começa bem cedo, declaradamente para as meninas e mais camuflada
para os meninos. Bem mais adiante, num certo dia surge aquele príncipe
ou aquela gata especial e os sininhos da paixão tocam de tal forma que,
como hipnotizados, são levados a um arrebatamento que os fazem mergulhar
no mito do parceiro eterno, no "homem ou mulher da minha vida".
Quão mais forte é, mais rapidamente este encantamento some em face à
vida real que traz seus aborrecimentos. O sonho acabou, separação, briga,
litígio, é o fim! Na segunda experiência de apaixonamento, partem para
o novo mergulho ancorando-se numa suposta vida real. Mas a mesma tônica
começa a se repetir com o agravante de que agora os filhos estão na jogada,
o que faz com que, por esse motivo, alguns casais permaneçam juntos sem
amor ou companheirismo (o que é profundamente impiedoso para com eles).
Outros, mais corajosos, encaram uma dolorosa separação, talvez a decisão
mais sábia para pais e filhos. E assim se segue, terceira, quarta experiência,
pois o que se procura é algo inexistente, uma imagem idealizada do outro,
um parceiro interno. Os parceiros internos (invisíveis) nascem de uma
idealização sobre o sexo oposto que se estabelece na nossa infância a
partir do modelo do pai e da mãe. Eles se escondem no nosso inconsciente
profundo e se expressam através da projeção disparada pelo encontro com
alguém que tem muitos traços dessa idealização. É a parte feminina do
homem que ele procura na mulher e vice-versa - tudo inconsciente! É do
forte impulso sem rédeas de um para com o outro que surge a fonte do magnetismo
do estado de apaixonamento.
A paixão não resiste quando ésubmetida ao teste da realidade, pois quanto
mais real vão se tornando um para o outro, menos possibilidades das imagens
mágicas provenientes do inconsciente permanecem projetadas neles. No casal
em que a paixão transcorreu ao lado do amor, em que apesar da magia prevaleceu
a visão de realidade, quando o deslumbramento pasda necessidade de se
"re-casar" sa, começa o verdadeiro casamento e esta é a hora do re-casamento!
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| Quando o deslumbramento passa, começa o verdadeiro casamento. |
A atração magnética, a magia se foi, mas se ambos não forem imaturos
e houver amor, a magia será substituída pelo desejo de constituírem laços,
família, parceria, pelo grande desafio de crescimento mútuo, pelo amor
aos filhos e pela liberdade do estilo pessoal. Mas se o que sobrou do
apaixonamento foi só negatividade e violência é hora de vocês se separarem
e se re-casarem com vocês mesmos. Sair de um casamento com esta tônica
é o caminho de libertação não só psicológico, mas também de alma. Aqui
vão algumas dicas práticas de re-casamento:
Falem com o coração mas não deixem o mental do lado - esta combinação
é perfeita para que não haja julgamentos nem caça ao culpado. Não chantageiem
com a culpa, maior vilã de qualquer relacionamento, aceitem sua responsabilidade
e assumam o desejo de mudar. Deixem as perdas rolarem, não cultivem mágoas.
E, remédio infalível, tirem férias conjugais sempre que possam e curtam
a saudade e a falta que o parceiro lhe traz, recebendo com alegria e paz
tudo o que a vida lhes dá de presente.
CARMINHA
LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA
E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO. |