NINGUÉM GOSTA DE ser tachado de invejoso. Dizem por aí que esse tipo de pessoa traz consigo uma energia negativa, capaz de atrair o azar, bloquear nossas conquistas e assim por diante. Isso sem contar o peso que a inveja carrega por estar na temerosa lista dos sete pecados capitais, segundo a Igreja Católica. Caracterizado pelo desejo de possuir o que é do outro, seja um objeto, pessoa, status ou habilidade, esse sentimento é praticamente inevitável para todo e qualquer ser humano. Você pode até não gostar de assumir, mas se buscar nas lembranças que nem precisam ser tão remotas assim, vai perceber que já se deparou com a inveja em alguns momentos.
Apesar de todo valor negativo que tem sido atribuído a ela, a psicóloga Sâmara Jorge garante que não é necessário sentir culpa ou vergonha por vivenciá-la: “Todos nós certamente já tivemos esse sentimento que, assim como todos os demais, possui aspectos negativos e destrutivos e outros criativos e até transformadores. Vale lembrar que o que está por trás dessa emoção é, antes de tudo, a admiração, que é algo bom”, explica. Na polaridade negativa, a inveja traz dor e infelicidade. Sim, imagine viver querendo o que não lhe pertence e sentir o tempo todo o dissabor da insatisfação, é insuportável. Também é comum ao invejoso a dificuldade de valorizar o que possui. Mesmo que consiga algo que desejava, tal coisa perde a importância assim que seu semelhante noticia uma conquista. Trava-se de uma espécie de competição, ainda que secreta.
E se não for trabalhada com cautela, toda essa gana pode trazer complicações. “O âmbito mais perigoso da inveja aparece quando passamos a desqualificar ou sentir vontade de destruir quem nos ameaça. Muitas vezes isso denota insegurança e falta de auto-estima, que se refletem na necessidade de desmerecer o outro para se sentir vitorioso e superior”, afirma Sâmara. Já a vertente positiva dessa emoção está ligada ao autoconhecimento e à transformação: “Quando invejamos uma pessoa, estamos, no fundo, projetando nela algo que gostaríamos de ter ou ser. Esse sentimento leva à percepção do que realmente queremos e pode nos motivar a ir atrás de concretizar nossos próprios sonhos e desejos. Assim, entramos em contato com a nossa essência, ativando recursos internos e potenciais por vezes desconhecidos”, pondera a psicóloga. Sendo assim, da próxima vez em que se deparar com aquela dorzinha de cotovelo, nada de tentar reprimi-la. Que tal, em vez disso, refletir um pouco? Assim, você pode se conhecer melhor e entender quais são as verdadeiras origens dessa emoção. “Pergunte para si mesma por que o outro te incomoda tanto. Questione quais são seus próprios desejos, contidos nessa inveja, e o que você pode buscar dentro de si para alcançá-los. Tente perceber o que falta para que você viva sua vida com espontaneidade, buscando a felicidade dentro de si mesma, sem relacioná-la a padrões dos outros”, finaliza. Esse pode ser o ponto de partida para o seu crescimento emocional e o desabrochar de uma nova consciência, mais leve e agradável. Confira a seguir algumas situações que propiciam a presença da inveja e saiba como tirar proveito delas.
irmã diplomada
Na semana que vem acontecerá a formatura da sua irmã mais nova. Enquanto você optou por ficar em casa e cuidar dos filhos, ela preferiu seguir carreira profissional e recebe elogios de toda a família por seu esforço e determinação. Diante disso, você se sente um pouco esquecida pelos outros e por si própria.
Sugestão: quem sabe não seja o momento ideal para você evoluir? Não precisa necessariamente cursar uma faculdade, mas talvez fazer um curso de algo que lhe interesse e instigue. Sabedoria nunca é demais e nos mantém vivos. É sempre bom reciclar os conhecimentos, conhecer gente, estar ligada no que acontece. Inspire-se no exemplo de sua irmã e invista em você.
um príncipe
Sábado passado você e suas amigas da época de faculdade marcaram um encontro num restaurante. A idéia era ser uma reunião mais intimista, porém, uma das convidadas apareceu com o namorado a tiracolo. Apesar de ele ter se revelado uma companhia agradável e divertida, você torceu o nariz para o rapaz. Principalmente enquanto ele se desdobrava em elogios e mimos para a sua amiga.
Sugestão: confesse, o problema não era a sua amiga ter levado o namorado num encontro só para mulheres, mas sim você ser a solteira da vez. E também, é claro, o fato de ela ter conseguido um parceiro tão encantador. Você viu, todas as presentes o elogiaram. Já que, ao que parece, você acaba de descobrir o estilo de homem que a agrada, o que acha de focar mais sua busca? Descarte os grosseiros e indiferentes se é de atenção e carinho que você sente falta.
carrão na garagem
Saindo para o trabalho você encontra com a vizinha que está colocando o carro novo na garagem. Um carrão, diga-se de passagem. Ela buzina e acena. Você não pode deixar de comentar sobre a nova aquisição da moça. Ela então conta que foi promovida na empresa e com o novo salário decidiu se presentear. Você sente no mesmo instante a inveja tomando conta de seus pensamentos.
Sugestão: em vez de ficar questionando se houve merecimento para tais conquistas, que tal dar uma geral na sua vida? Faz anos que você está com o mesmo carro, insatisfeita com o emprego e a remuneração injusta. Você tem feito algo para mudar essa situação? Faça contatos, envie currículos, especialize-se em algo. Só não vale reclamar e permanecer acomodada.