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Puro charme: a fachada do prédio da prefeitura de Munique e seus detalhes no estilo neogótico |
Nem feliz, nem triste. Nem Nem boa, nem ruim. Sem grandes ambições ou sonhos inatingíveis. Sem nunca ter sentido fortes emoções, nem ter vivido um grande amor. Quem era Patrícia Dias? Nem ela mesma sabia. Auto-suficiente, cheia de certezas e verdades absolutas. No fundo ela mal se conhecia. Uma personalidade ao mesmo tempo forte e frágil, que iria para os ares, literalmente, no vôo 464 de 1997. A conexão São Paulo–Munique, na Alemanha, seria apenas o começo de um processo de transformação interior que duraria 90 dias. Até então, Patrícia não tinha a mínima noção do que a vida lhe preparava.
Apenas sabia que estava destinada a ser babá de uma alemãzinha de 6 anos de idade, um pouco mimada. A proposta para trabalhar no exterior veio por parte de uma cunhada que há alguns anos já morava por lá e a indicou para a vaga. A idéia da viagem lhe encheu os olhos e despertou seu coração para boas experiências.
Adeus, porto-seguro
A cidade, que ao longo dos séculos foi cobiçada por conquistadores, reis e imperadores, passava então a ser almejada por Patrícia Dias, uma jovem de 21 anos, em fase de grandes descobertas. Logo começaram os preparativos. Num tempo recorde aprendeu a dirigir, aperfeiçoou o inglês, tirou o passaporte e levantou vôo rumo ao seu novo destino. Deixou para trás a família com o coração apertado e muitas lágrimas no saguão do aeroporto.
Mas isso para ela era um detalhe. Reconhece que naquela época não se importava muito com os sentimentos dos outros. “Chegava a ser egoísta, queria mais era viver a minha vida e achava que o mundo girava ao meu redor”, comenta. E pode-se dizer que era mais ou menos por aí mesmo. Sendo a única mulher no meio de 5 irmãos, paparicada e protegida ao extremo, abusava de sua condição de “queridinha da família”. Apenas no avião se deu conta de algo importante.
Agora, tão longe, quem iria protegê-la? A euforia inicial, de repente deu lugar a um nó na garganta, um frio na barriga e uma insegurança que a mantiveram acordada o tempo todo durante a viagem. Somente a beleza de Munique foi capaz de fazê-la relaxar. “Fiquei fascinada. Não tinha idéia de como tudo era lindo e limpo, apesar da frieza típica do povo, que percebi logo no início.”
A descoberta de um novo mundo
Cosmopolita e regional, a cidade de paisagem alpina mistura-se à beleza do Mediterrâneo, moderna e cheia de tradição. Munique é um mundo de contrastes, onde as ruas e parques fazem do município uma experiência única para turistas do mundo inteiro, que se entregam aos seus fascínios. Ao todo são mais de 100 museus e galerias de arte, 50 teatros e centros comerciais, além de ser palco de grandes festivais. As cervejarias ao ar livre são uma atração à parte e a gastronomia então, nem se fala! Porém, em meio a tantas ofertas de diversão, a paulistana não podia se esquecer de que estava ali a trabalho. Levada à casa da família Kuhn Beer, foi apresentada à pequena Luca, de quem gostou logo de cara, apesar de perceber que teria uma empreitada difícil pela frente.
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| Vista da praça Marienplatz, no coração de Munique |