Estilo Natural
Edição 54 -
Março/2008
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  Prevenir é tudo
Os nutrientes são o combustível do nosso organismo. Garantir a presença deles nas doses adequadas é primar por saúde e qualidade de vida. E é exatamente essa proposta da tera´pia ortomolecular

ANDRÉA LUNA FOTOS: ROGÉRIO VOLTAN

Todo mundo sabe que, para manter a saúde em dia, precisamos de uma série de nutrientes que garantam o bom funcionamento e equilíbrio do nosso corpo. Para isso basta ficar atenta à alimentação, que ele trabalha em harmonia. No entanto, nem sempre a realidade é assim. Mesmo mantendo um cardápio balanceado, muita gente apresenta carências nutricionais essenciais. Os motivos são os mais diversos. Uns deixam de consumir determinados alimentos vitais por não apreciarem seu sabor, outros por intolerância a alguns itens e existe ainda aqueles que têm dificuldade de absorver certas substâncias.

Detalhes como esses, que muitas vezes passam despercebidos no dia-a-dia, são logo denunciados por alterações físicas. “Uma pessoa malnutrida torna-se alvo fácil de enfermidades e de envelhecimento precoce, pois reage com dificuldade às agressões cotidianas, como o estresse e o excessivo consumo de açúcar e gorduras”, esclarece Wilson Rondó Júnior, especialista em medicina preventiva, de São Paulo.

Foi pensando nisso que o bioquímico americano Linus Pauling, vencedor do Prêmio Nobel de Química em 1954 e do Nobel da Paz em 1962, criou uma terapia chamada ortomolecular, que visa a restaurar o equilíbrio químico do organismo por meio de uma dieta adequada e, quando essa não for suficiente, pela indicação de suplementos nutricionais em cápsulas, sprays bucais ou injetáveis. Essa terapêutica, praticada no Brasil há mais de 20 anos, se diferencia da medicina tradicional por ter como principal foco a prevenção de doenças.

Mas os especialistas garantem que ela também é poderosa para dar fim a males como cansaço excessivo, falta de disposição, perda de memória, distúrbios sexuais, infecções repetitivas e os sintomas do estresse. Saiba como tudo isso é possível.

Química física

Para que possamos entender bem o trabalho da medicina ortomolecular e seus benefícios, primeiro é necessário explicarmos um pequeno, mas importante detalhe. Nosso corpo é formado por componentes químicos, cujos átomos possuem um par de elétrons. Fatores nocivos, como a poluição ou os aditivos tóxicos presentes na comida, podem “roubar” um desses elétrons, deixando o outro solteiro. O espaço resultante dessa ausência é chamado de radical livre. Certamente você já ouviu falar desse vilão, que causa lesões nas células e nos genes.

Especialistas acreditam que o acúmulo dessas agressões ao longo da vida favorece o envelhecimento precoce e facilita o aparecimento de alterações degenerativas. Por isso um dos objetivos da medicina ortomolecular é minimizar esse desgaste. “Um único radical livre pode alterar uma molécula de DNA, modificando geneticamente uma célula, que pode morrer ou se tornar cancerosa. Além disso, seu efeito destruidor é cumulativo e, sozinho, o corpo humano não consegue revertê-lo”, explica Rondó Júnior. Outro indicador de perigo é a presença de metais pesados no organismo — que podem causar uma série de alterações no cérebro, principalmente no que diz respeito à memória, atenção e concentração. Exemplo disso é o alumínio, que acarreta um aumento da permeabilidade do intestino.

Assim, esse órgão permite a passagem de partículas de alimentos maldigeridos para a corrente sanguínea, contribuindo para o crescimento desordenado de fungos e bactérias capazes de afetar as atividades cerebrais e trazer conseqüências significativas sobre as emoções.“O chumbo e o mercúrio, desde que em pequenas doses, podem ser retirados com medicações homeopáticas, indicadas na maioria das vezes por um especialista, ou ainda com o simples consumo das fibras vegetais encontradas em alguns alimentos.

Porém, se a quantidade de metais pesados for alta, há necessidade de ingestão de cápsulas ou comprimidos”, explica Cyro Masci, médico ortomolecular, de São Paulo.

Porções de defesa

A carga total dos radicais livres é chamada de estresse oxidativo. E apesar de possuirmos defesas para combater tal excesso, nossa capacidade de se defender e de se auto-regular fisicamente tem um limite. Por isso é preciso apelar para uma forcinha extra e fazer uma reserva que forneça substâncias que combatam esse mal: são os famosos antioxidantes. As melhores fontes desse bálsamo são os vegetais. “Todo mundo deveria consumir 6 porções diárias de frutas, verduras e legumes, de preferência cultivados sem agrotóxicos ou adubos químicos”, afirma Cyro.

Porém, se isso não for possível, esses defensores podem ser ingeridos na forma de suplementos de vitaminas e minerais. “Nesse caso, a administração deve ser acompanhada de exames, para que não exceda e nem fique aquém do que cada pessoa necessita”, completa o médico.

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